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Artigos Betty
Carter __________________
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Betty Carter indo à fonte da melodia Ana Lúcia Vasconcelos
Total
domínio do sentido
Explicando sua maneira de interpretar, o crítico Stephen Holden
em recente artigo na revista New York Times escreveu:
“Não importa quão longe esteja de uma melodia familiar,
ela mantém um total domínio do sentido emocional da lírica.
Quando mergulha dramaticamente abaixo na escala, num contralto tão
profundo que tem ressonância de um barítono, ela projeta
uma aceitação lamentosa das mudanças da vida-tristeza
que é compensada por um ainda mais forte afirmação
de flexibilidade”. Em artigo na revista Jazz Time,
Ken Frankling vai além na ilustração do singular
estilo de Betty Carter: “como um pintor abstrato ela toma um tom
familiar e muda-o até ele ser alguma coisa particularmente sua.
Ela reinventa no ato, transformando a melodia acariciando cada palavra
com um dramático uso do tempo, enquanto deixa a lírica intacta”. Caça talentos
Educar jovens para o jazz tem sido muito importante para Carter, cujos
trios raramente incluem jovens com mais de 20 anos. Conhecida como uma
das melhores caça talentos, sua banda tem sido base de treinamento
para artistas que vão e vêm desde a morte de Art Blakey-os
trios de Carter tem sido, durante anos, de músicos reconhecidamente
bons.
Mas se hoje ela caça talentos, no começo da sua carreira na verdade ela foi caçada. Durante a adolescência ela cantou com Dizzy Gillespie, Charlie Parker, Miles Davis, Max Roach e Duke Jordan e aos 18, juntou-se à banda de Lionel Hampton. O tempo que passou com Hampton foi como uma escola para ela: aprendeu como dirigir uma banda, como organizar e colocar suas idéias musicais no papel. Por volta de 1951, preparada para lutar por si mesma, mudou-se para Nova York e como cantora experiente cantou em pequenos clubes, criando reputação como uma vocalista impressionante.
Durante uma temporada com Miles Davis no Howard Theater
em Washington d.C. Davis apresentou-se aos seus agentes e isso levou a
uma turnê com Ray Charles o que deu como resultado o disco Ray Charles
e Betty Carter que marcou a grande virada na sua carreira. Betty Carter
gravou depois com Epic Peacock, ABC Paramount, ATCO e United Artists durante
os anos 50 e 60 e em 69 lançou seu próprio selo: o Bet -Car.
Durante os anos 70 e 80 Carter bancou-se e a suas jovens bandas no selo
Bet-Car, fazendo circuito colegial. Então em 1988, a Verve ofereceu
a ela um grande contrato onde deveria gravar Look What I Got
e regravar quatro antigos álbuns Bet-Car.
Tenazmente Betty Carter realizou uma longa e ilustre carreira e os últimos cinco anos foram de muitas honras. Há quatro anos é considerada a Mulher Cantora do Jazz do Ano pela Down Beat’s. Em março de 1994 o Lincoln Center dedicou uma noite inteira à veterana cantora num programa intitulado: Carter Big Band With Stings: The Music Never Stops. Em 1997 Betty Carter foi convidada para uma performance na Casa Branca o que significou o reconhecimento oficial do governo dos Estados Unidos a sua obra estupenda. Lamentavelmente Betty Carter morreu em 1998 de câncer no pâncreas terminando abruptamente uma carreira das mais memoráveis dos últimos cinqüenta anos, segundo os críticos.
Leia Mais sobre ela neste artigo publicado no programa do show do Airton Martini, engenheiro e produtor artístico. Desde 1989 produz e apresenta o programa What’s New - Um Toque de Jazz que vai ao ar pelas emissoras USP FM em São Paulo e Cultura FM de Campinas (SP). Betty
Carter
Detroit, Michigan, l947, uma adolescente é convidada a se apresentar
ao lado de um super astro do jazz que passava na cidade. Por não
ter idade suficiente, ela teve que alterar documentos. Era seu primeiro
trabalho profissional. Mais tarde, depois de observá-la bem nos
ensaios e no palco, ele foi direto ao assunto: “você vai demorar
a alcançar o topo... por ser inflexível...”. O astro
era nada menos que o saxofonista Charlie Parker e a jovem cantora era
Betty Carter. Embora a afirmação de Bird, não tenha
sido exatamente uma ameaça ou crítica, soa hoje, quase cinqüenta
anos depois, como uma profecia.
O sucesso pode não ter vindo rápido ou bombástico,
mas veio. E bem recentemente, após receber o Prêmio Grammy
pelo álbum Look What I Got de 1988, do mesmo selo Verve Polygram
que ao que parece, dedicou-se a tirar artistas como Betty Carter do mundo
“Cult”, e passá-los para outro temido planeta chamado
mercado fonográfico e musical (vide John Henderson e Shirley Horn). Para saber mais sobre Betty
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Jornalista Ana Lucia Vasconcelos Web designer-Edson Souza
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