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Pacto Maldito

Amanda Bigonha Salomão

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Para Camille, com uma flor de pedra
Bárbara Lia

salto

Ana Peluso

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Pacto Maldito

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Alguns poemas do livro Sal das Rosa

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FORNOS CARVOEIROS

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Jazz Improviso (Poema)

Silas Corrêa Leite
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Três poemas de Tatiana Monteiro

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Pacto Maldito


Amanda Bigonha Salomão


vida e morte eu vejo e transvejo:
vida e morte em tudo
muito aduba e permanece _adubando/adubado
outros esquecem do jogo e vão se acabar
zumbi múmia e gente
tudo junto
se roendo se comendo

escravos da vida limitada.

A poesia rima pouco e expande mais


Já tentei croché
Já tentei tricô
Já fiz pão e fiz teatro.
Entrei pra esquerda,
cutuquei o partido;
Fiz bolo e artesanato.
Tentei de tudo, tentei de nada.
Fui Zé Ninguém e dona-de-casa.
Já dormi sonhando reis,
Já dormi sonhando putas,
amantes de Sol, amantes de Lua.

Mas não me encaixei em nada
E fui ser coringa no meio da rua.

Um passeio ao Horto atingido pela calma que é o que é sincero ao ser.


Da última vez vim e encontrei-o. Cortei-me.
Hoje, depois de meses contando as horas no dedo, retorno, mas sabendo que já não encontrarei mais ninguém. Verei formigas rolando por sobre o tapete verde, mas não atrapalharei o fluxo. Havendo sorriso, haveria fala. Mas não há. Há vento, há falta.
Somente olho. Olho tudo e (trans) vejo. Estou surda e quase muda de tão cega.

Daqui detrás do muro branco, velho e inexistente, pois o criei literário e sem valor, vejo um casal. Eles estão vestidos de preto e se escondem por entre vitórias, régias. São altos, absurdos e agora são brancos, alheios.
Vejo que dão as mãos e começam a se enrolar. Acho que flutuam. Desejo também a mão que os toca, o corpo que é tocado. O Abraço que dão faz vento mim. Mais vento, sempre. E o único toque que reconheço e finjo fazer é do cabelo se enlaçando nos laços azuis presos aos meus dedos.

Faz dias que ouvi um grito: você está sumindo, apareça! mas eu não soube distinguir de onde vinha e botei a culpa em mim, para ser fácil. E agora vejo as pessoas me negligenciando e não sei o porquê. Deve ser a surdez, aumentando.

Vejo algas à minha volta e meus pés estão se dobrando.
Cheios de nós, os meus dedos. Mas nem ligo, desconectada. (Morrer no lago verde...)
Como foi que perdi os braços assim, tão de repente e calma, doendo pouco e tão agudo era o grito que vinha das árvores. Não me comparei mais a nada: e o cotidiano complicou-se. A natureza, gelada. Curvas.

Cheia de reticentes à cabeça, vou pluralizando os sentidos: quando foi a última vez em que escrevi? Ouvidos povoam minha dúvida, mas erram sempre a mira. Estou esquivada, eternamente.
Me ligaram em algum laboratório, dentro de um câncer, abaixo de uma teia.
Sei que não é a morte ainda, tão calmo o que sinto.

Pulei
na
á
g
u
a
ver
de.

...Ufa.
Amanda Bigonha Salomão, estudante mineira (Ubá/Viçosa).
Fotografa, escreve e pinta.
Seus sites:

 

http://www.tecnicolorindo.blogspot.com/
http://www.flickr.com/photos/ceudemim/
http://www.flickr.com/photos/cirandadepedra

 

 

 

 

 

 

 

Jornalista Ana Lucia Vasconcelos

Web designer-Edson Souza