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5º Domingo da Quaresma – 09.03.2008
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Passagem para a Vida
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Não Matarás
Dom Benedicto de Ulhôa Vieira
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5º
Domingo da Quaresma – 09.03.2008
"Quando
eu abrir as vossas sepulturas e vos fizer sair delas,
sabereis que eu sou o Senhor" (Ez 37,13)
+ João Braz de Aviz
Arcebispo Metropolitano de Brasília
A promessa que o profeta Ezequiel põe na boca de Deus, no Antigo
Testamento, nos surpreende e, ao mesmo tempo, responde a um dos anseios
que a humanidade mais tem no coração: todo o nosso ser se
rebela diante da certeza que um dia a morte chegará, mais cedo
ou mais tarde, e nossa vida terá um fim. Não é esse
o nosso desejo mais profundo. Fomos feitos para viver. Essa é a
nossa convicção existencial. Ouvir, pois, as palavras de
Deus: “Quando eu abrir as vossas sepulturas e vos fizer sair delas,
sabereis que eu sou o Senhor” (Ez 37,13), enche-nos de esperança.
Domingo dia 9 iniciamos a grande Semana Santa. Sim, grande, porque os
acontecimentos que nela celebramos a respeito do Filho de Deus, Jesus
Cristo, nosso Senhor, são a última palavra amorosa de Deus,
envolvendo-nos de salvação e libertando-nos definitivamente
do poder da morte.
Lázaro, de Betânia, o amigo de Jesus, irmão de Marta
e de Maria, “sepultado havia quatro dias”, comoveu Jesus profundamente
e o fez estremecer interiormente, a ponto de chorar, juntamente com suas
irmãs. Este é o nosso Deus, capaz de compadecer-se de nossas
limitações (as maiores entre elas, o pecado, o sofrimento
e a morte). Embora cheias de fé e profundamente ligadas a Jesus
por uma amizade muito grande, Marta e Maria exprimem sua decepção
por Jesus não ter chegado a tempo para curar o irmão Lázaro
de sua doença mortal: “Senhor, se tivesses estado aqui, o
meu irmão não teria morrido” (Jo 11,21. 32).
A ressurreição de Lázaro é um fato inédito
e, fora da experiência profunda e autêntica da fé na
pessoa de Jesus, não nos parece possível. Jesus a realiza
justamente para que o povo que o rodeia acredite que o Pai o enviou. É
o que Jesus suplica em sua oração cheia de gravidade e de
certeza: “Pai, eu te dou graças porque me ouviste. Eu sei
que sempre me escutas. Mas digo isto por causa do povo que me rodeia,
para que creia que tu me enviaste”. “Tendo dito isso, exclamou
com voz forte: “Lázaro, vem para fora!”O morto saiu,
atado de mãos e pés com os lençóis mortuários
e o rosto coberto com um pano. Então Jesus lhes disse: “Desatai-o
e deixai-o caminhar!”(Jo 11,41-44).
Se a ressurreição de Lázaro, amigo de Jesus, foi
motivo para que muitos judeus acreditassem nele, este não é
o maior sinal, que demonstra seu poder sobre a morte. Dentro de duas semanas
celebraremos a Páscoa do Senhor. Teremos, então, a alegria
segura de poder gritar com todo o júbilo de nosso ser: Ele ressuscitou
verdadeiramente! Aleluia!Felizes aqueles que, como nós, conhecemos
a vitória de Cristo sobre a morte, não apenas porque ressuscitou
Lázaro, mas porque, por sua própria força saiu do
sepulcro, vencendo em si mesmo a morte. Se a morte, ainda por algum tempo
estará presente entre nós, seu poder já está
destruído, porque Jesus é a vida. Caminhemos Nele!
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